O mais gratificante e maior dos desafios de um assessor de imprensa reside em entregar o que a imprensa realmente precisa ao mesmo tempo em que proporciona satisfação ao assessorado por meio da realização do seu serviço, com o plus de ajudar a levar ao público informações que de fato são relevantes para ele. A tríade que sustenta o trabalho bem feito é muito complexa. Necessidade (da imprensa), satisfação (do cliente) e relevância (ao público) são as palavras-chave que são base de todo bom trabalho.

Cheios de nuances, muitas vezes, os interesses da imprensa e do assessorado divergem. Afinal, cada um está em seu mundo, cada um tem o seu repertório pessoal e profissional, cada um tem seus objetivos, e cada um tem a sua própria leitura sobre os fatos e sobre uma determinada pauta. Além disso, mesmo que haja coincidências e convergência de interesses entre o assessorado e a imprensa, é possível que, no final, a notícia veiculada não desperte interesse no público. É quando você lê comentários do tipo: ‘e?’ ou ‘isso é matéria comprada?’, o que significa que aquela notícia não aparenta ter qualquer relevância ou critério de noticiabilidade identificado para aquele público leitor/ouvinte/espectador.

Então, vamos destrinchar os três princípios que devem reger o trabalho de um bom assessor:

  1. Regra: o interesse do assessorado. Dentre todas as informações que o assessorado produz, quais delas realmente valem a pena noticiar? Explique ao assessorado porque a notícia X que ele considera muito bacana, na realidade não tem qualquer critério de noticiabilidade na imprensa (de massa ou especializada) e não desperta interesse nos públicos que ela alcança. Ao mesmo tempo, explique porque a novidade Y poderia ser de muito interesse no veículo Z por causa dos temas que aborda e do público que dialoga.
  2. Regra: o interesse da imprensa. Dentre tudo o que a imprensa veicula, quais são os veículos e qual o tipo de conteúdo que mais se aproxima com o tipo de informação que o seu assessorado produz? E quem é o responsável por esse tipo de conteúdo no veículo analisado? Ele escreveu/reportou o mesmo tema recentemente? Vale repetir ou é mais do mesmo? Ofereça exclusividade e pense no que o público daquele veículo realmente deseja; observe as notícias com maior ‘audiência’ para entender isso.
  3. Regra: o interesse das pessoas. O que as pessoas têm perguntado? Sobre o que elas desejam saber? O Google é uma boa ferramenta para descobrir o que as pessoas querem saber. É só digitar uma frase parcialmente e ver as opções de auto completar automáticas que surgem, por exemplo. E também é possível ver nos próprios veículos as ‘mais lidas’/’mais acessadas’ do dia, da semana, do mês… Outra possibilidade é sondar junto aos próprios veículos qual tipo de conteúdo gera mais interesse/audiência.

Gráfico - três regras

 

A assessoria de imprensa de qualidade fica bem ali no meio, na intersecção entre os três interesses. Estão vendo?

Um bom profissional deverá lidar com segurança com esta complexa tríade, levando em conta todos os fatores pertinentes a estas três esferas, quando for elaborar um plano de ação para determinado cliente.

Assim, seguindo as três regras dos interesses (assessorado, imprensa e público) e tendo como base as três palavras-chave (necessidade, satisfação e relevância), com certeza, você será um assessor de imprensa de sucesso.

Por Júnia Braga