Hoje gostaria de falar sobre uma coisa muito importante referente comunicação: identidade e posicionamento.

A maioria de nós sabe que o cenário da comunicação está em constante mudança. A revolução digital proporcionou uma maior disseminação de informações, dando voz e construindo formadores de opinião ‘autônomos’, como bloggers, vloggers etc. Além disso, a crise nas redações mostra que os veículos tradicionais de comunicação ainda não identificaram como conceber um novo modelo de negócios, já que estão concorrendo com a informação gratuita da internet. Com tantas opções de canais de informação e com esses milhões de dados trafegando por aí, como ser relevante?

De uma coisa temos certeza: a identidade e o posicionamento nunca foram tão importantes como agora, na construção da relevância e da importância de uma marca.

Falam que o The Economist é uma referência. Que apesar de uma diminuição de suas vendas, o semanário britânico continua em ótima saúde, principalmente nos Estados Unidos, onde está agora a maior parte de seus leitores. Acredito que este sucesso tenha justamente a ver com a reputação que a marca criou em sua centenária história. Segundo Alexandre Zevin, historiador da Universidade da Califórnia, “James Wilson, seu fundador, estimava que a função de um jornal consistia em fornecer informações confiáveis e claras para permitir aos industriais e aos ministros agir com conhecimento de causa. Ele foi o primeiro título de imprensa a publicar listas de preços. Ainda hoje, o semanário consagra diversas páginas a todos os tipos de indicadores econômicos e financeiros: volume das transações internacionais, previsões de crescimento do PIB, emissões de gás de efeito estufa…”¹

O que quero reforçar com o exemplo da The Economist é que você será atraente ao seu público e, conseguintemente, ele se tornará fiel a você, se você for coerente, tiver uma identidade sólida e um posicionamento claro sobre quem você é, o que faz, o que pensa etc. Mesmo que seu pensamento seja multiplural, é importante que essa informação seja qualificada.

Logo, a relevância que você, empresa, precisa ter para se destacar entre diversas tantas marcas precisa ser construída aos poucos e SEMPRE. A cada ação e reação feitas, seja no ambiente on ou offline; a cada instante da sua história como instituição, é imprescindível que seja identificável, com coerência, os seus valores, a sua missão e a sua visão.

Também é importante que você aproveite a oportunidade e se posicione como um formador de opinião de assuntos que são caros à sociedade, como uma voz importante entre os atores sociais ao seu redor. Relações governamentais, suas ações em sustentabilidade (financeira, social e ambiental), relações com investidores, relações com seu público consumidor, os stakeholders. Para todos esses públicos e ações, é importante que você tenha uma mensagem única, empoderada, construída com base forte em sólidos argumentos e história, em números e fatos.

Trazendo essa conversa que estamos tendo para o meio em que mais atuo, que é relações com a mídia (mais conhecida como assessoria de imprensa), torna-se ainda mais importante que seu posicionamento e identidade sejam claros, pois a imprensa ainda é um canal importantíssimo de disseminação de conteúdo. Assim, o conteúdo que você transmitirá a ela é de vital importância para que os públicos ainda não atingidos por você (mas atingidos por ela) tenham conhecimento da sua marca da forma adequada, com suas as mensagens-chave presentes no discurso.

Com esse cenário (caos informativo) e fórmulas em mente (identidade e posicionamento), naturalmente, você se destacará entre seus concorrentes e será uma marca relevante para a sociedade.

¹ [Nota: A editora britânica Pearson recentemente anunciou a venda de sua participação de 50% no grupo The Economist, que publica a revista de mesmo nome, por 469 milhões de libras (663 milhões de euros, US$ 730 milhões). A participação foi vendida para a Exor, holding da família italiana Agnelli, e ao próprio grupo The Economist, segundo um comunicado.]

Por Júnia Braga