Para ter sucesso com o Marketing Digital, é preciso resgatar uma velha utopia

setembro 29, 2016 / digital, marketing

Há cerca de 10 anos, o termo Web 2.0 virou febre no mercado da comunicação e do marketing. Só se falava nisso, você se lembra? Era a revolução das plataformas participativas e colaborativas, que abria possibilidades riquíssimas de interação entre as empresas e seus públicos. Muita coisa legal aconteceu neste período, não se pode negar. Mas, os tempos são outros e agora, em 2015, temos um novo termo da moda: Marketing Digital. A história se repete e só se fala nisso, ainda que de diferentes formas: Inbound Marketing, Marketing de Conteúdo, Social Marketing e por aí vai.

O que os dois termos têm em comum? Eles celebram as possibilidades que a internet trouxe para nossas vidas, destacando o fato de o consumidor estar cada vez mais em evidência. No caso das discussões sobre Web 2.0, comentava-se sobre o poder do usuário e o potencial da rede para promover a participação. Era o fim dos modelos de comunicação top-down: todos seríamos produtores. Que época linda de ser vivida!

Aí, veio o Marketing Digital, e os públicos de interesse das empresas passaram a ser vistos como geradores de dados. Veja bem: o consumidor continua no foco das atenções. Mas o interesse passou a ser a imensidão de dados que ele produz sobre si próprio e como isso está à disposição de quem quer lhe vender algo. Ou seja… Agora, todos podem ser vendedores.

É possível observar a mudança de paradigma ao acompanhar o mercado de cursos de Marketing Digital. Há uma infinidade deles e a maioria ensina aos empreendedores como a internet e, principalmente, as redes sociais são ferramentas poderosas para quem quer conquistar novos clientes. Afinal, é fácil produzir conteúdo e é barato promovê-los para seus públicos-alvo. Apesar de ser tudo verdade, parece que, infelizmente, esqueceu-se que uma das principais maravilhas da comunicação em rede é a possibilidade de ouvir e relacionar-se com seus públicos.

Por que fala-se cada vez menos na construção de relacionamentos? Porque essa é a parte difícil. Relacionar-se com seus consumidores requer esforço, atenção e paciência. É preciso estar aberto à transparência, ter respostas às questões mais “cabeludas”, saber onde está o seu telhado de vidro e dispor-se a reconstruí-lo caso ele se quebre. Leva tempo. Quem está disposto a tudo isso, nessa era na qual todos querem uma fórmula que traga resultados financeiros imediatos e, de preferência milionários? Poucos. Raros.

O alicerce de um negócio bem-sucedido não se constrói apenas com dados. Eles são importantes, isso é indiscutível. Mas escutar, atender e se relacionar com seus públicos por meio do canal aberto que a internet proporciona é muito mais poderoso. São processos que podem garantir uma boa reputação, transformar consumidores em advogados da marca e, até mesmo, prever e evitar crises de imagem.

Por isso, que tal olharmos para trás e buscarmos nos discursos utópicos da Web 2.0 aquele sentimento de que o poder está em nossas mãos e que chegou a hora de fazer diferente? Quem está comigo? 😉