Nos últimos dois meses, tive pelo menos quatro conversas com jornalistas de grandes redações brasileiras sobre as práticas de assessoria de imprensa. Absolutamente todas as conversas tiveram como foco as reclamações por parte destes profissionais com relação aos assessores. Críticas do tipo:

– Vendeu a mesma pauta para mim e para o concorrente e não me avisou – fui furado;

– Veio reclamar da linha de raciocínio da matéria que fizemos;

– Ficou de agendar entrevista com o cliente, não retornou; descobri que o cliente já tinha passado as possibilidades de agenda para o assessor;

– Dificultou a minha aproximação com o cliente em prol do veículo concorrente sem transparência.

Fora os tradicionais e antigos problemas: vendeu uma pauta que nada tinha a ver com o veículo, fez follow up em horário que não devia, não dominava  conteúdo da pauta sugerida etc etc etc.

O que precisamos contextualizar é o seguinte: a comunicação está mudando, principalmente o jornalismo. O enxugamento das redações e o advento de formadores de opinião do ambiente digital são alguns dos reflexos desta mudança, entre outros. Precisamos entender que as rotinas das redações estão diferentes e que as assessorias de imprensa não podem continuar fazendo a mesma coisa que faziam cinco anos atrás.

Os jornalistas das redações hoje precisam MUITO mais do que antes que a pauta chegue redonda, sem erros, sem entruncamentos, de forma ágil, rápida e completa. É nosso dever, como profissionais de relações com a mídia, entender a cultura e práticas atuais da redação para nos adaptarmos a esta nova era.

Que tal dispensar o tradicional press release de vez em quando?

Que tal estudar o seu cliente, enxergar as diversas fontes de informação e conteúdo que ele propõe, e agendar entrevistas exclusivas – com diferentes abordagens – com veículos que realmente tenham aderência com ele? Ou marcar encontros de relacionamento sem pretensão de pautas, apenas para solidificar a ponte entre aquele jornalista e o cliente?

Se o assessor hoje não consegue proporcionar a agilidade e rapidez que a redação fragilizada precisa, talvez seja o caso de repensar o envio massificado de releases, que pode gerar uma demanda de trabalho gigante com resultados nulos ou pífios, e sugerir uma pauta completa e desenhada para apenas um grande veículo por vez, conseguindo gerar um clipping rico e estratégico para o cliente.

Precisamos acompanhar de perto estas mudanças e, como profissionais de relações com a mídia, temos obrigação de saber nos relacionar proficuamente com a imprensa; trata-se de um órgão importantíssimo para disseminação de informações e que ajuda a consolidar a opinião pública acerca de diversos temas. Sabemos disso.

Para os assessores – grupo no qual me encaixo, sugiro o autoquestionamento, a pesquisa, a inovação e o diálogo com a imprensa. Para as empresas, sugiro cautela na hora de contratar uma agência e que fiquem claras quais são as práticas adotadas pela assessoria; se são atualizadas e corretas; e, de preferência, pedir referências de jornalistas. Para os jornalistas, sugiro paciência (rs) e colaboração, no sentido de pontuar sempre que possível uma prática errada a fim de que todos possamos aprender e crescer. 🙂

E vamos seguir trabalhando e aprendendo em conjunto!

Por Júnia Braga