Eu sou jornalista de formação. Quando entrei na faculdade de Comunicação Social, há uns bons anos, não era muito difícil saber onde você estagiaria ou conseguiria o primeiro emprego. Havia muitas redações, muitas agências de RP e muitas empresas que precisavam de profissionais de comunicação, com papéis e jobs descriptions bem claros. Era quase ‘tranquilo’ saber qual especialização, MBA ou pós-graduação optar, desde que você escolhesse um destes três targets: redação, agência ou empresa. Parecia relativamente simples planejar sua carreira.

Hoje em dia, tudo mudou. Quando um comunicador está começando a se inserir no mercado de trabalho, ele pode muito bem trabalhar com mídias sociais, marketing digital, SEO, relações com imprensa, organização de eventos, escritor de discursos e de textos institucionais… Pode trabalhar de casa, na empresa, viajando. É um sem fim de atividades, executadas das formas mais variadas possíveis: CLT, PJ, permuta, ‘experiência’ etc.

O ano de 2018 está começando e com certeza muitos profissionais da área de comunicação – novos ou com mais anos de jornada – estão apreensivos com o seguinte cenário:

  • Os veículos de comunicação tradicionais estão se esforçando para segurar as pontas diante da queda da receita em publicidade e de audiência.
  • Os novos veículos de comunicação precisam vencer a barreira de criar marcas que tenham credibilidade, além de um modelo de negócios que seja rentável e lucrativo – seja ele on demand; de nicho; orientado ao usuário; de massa etc.
  • Apesar de a internet ter descentralizado a fonte da informação, quem a chancela ainda são as grandes marcas da imprensa, vide o artigo “A randomised trial shows that the power of the press is real” da The Economist.
  • Os novos ‘digital influencers’ são um mundo à parte: se para comprar espaço ou realizar parcerias com uma mídia tradicional existiam/existem processos claros e definidos, lidar com uma pessoa física são outros 500. E tudo isso se está descobrindo e consolidando agora.
  • Os formatos de peças publicitárias na internet estão mudando. O ‘pop up’ está em crise (muitas pessoas usam bloqueadores), os banners ainda subsistem. Os vídeos in-stream estão ganhando a atenção (principalmente no Facebook). E o que realmente o que parece funcionar mais hoje em dia na internet é o marketing de conteúdo – seja em parceria com influenciadores ou ‘solo’.
  • As agências de PR não estão mais tão prósperas como eram há alguns anos. Dos 10 maiores nomes do Brasil, somente um continua sendo 100% brasileiro; sendo que os demais foram comprados parte ou totalmente por holdings internacionais.
  • As empresas que antes tinham grandes departamentos de comunicação/marketing, reduzem os seus profissionais, ou por falta de verba (e comunicação muitas vezes é vista como despesa e não como investimento) ou porque optam pela terceirização.
  • Apesar de a crise estar começando a mostrar sinais de arrefecimento, temos grandes acontecimentos em 2018 que podem afundar o mercado nacional, como a instabilidade gerada pelas Eleições, por exemplo.

Isso posto, gostaria de pontuar alguns achismos e prognósticos para o mercado em que trabalho, que é o de RP. Para onde será que ele vai? Ou melhor: o que ele vai requerer dos profissionais?

Alta personalização e alta performance

Uma das reclamações que mais tenho ouvido por parte das empresas e das organizações é que hoje em dia está difícil contar só com o profissional de padrão “médio”. A organização precisa que o seu RP (seja atendimento de agência, consultor ou colaborador) entenda a fundo do seu negócio, do seu mercado. Isso requer um profissional bem preparado. Essa alta personalização resulta em alta performance. E isso significa que o profissional não pode entender somente do seu core, mas de estratégias de negócios – porque é a habilidade de relacionar o seu core com as estratégias de negócios de uma organização que fará com ele seja valorizado pelo mercado.

Storytelling SIM

Essa aí já está MUITO batida, mas continua MUITO em alta. A capacidade de saber contar as histórias das organizações/pessoas com maestria, de forma envolvente e que agregue valor à marca, será um dos grandes diferenciais nesta batalha por audiência que a gente tem visto nestes últimos tempos – seja em qual plataforma for.

A Sabedoria do Multicanal ou Profissional 360°

É importantíssimo saber quais existem e saber lidar com todos os canais comunicacionais que são passíveis de serem trabalhados. Porque assim se consegue identificar se eles são estratégicos ou não para aquela organização e que tipo de conteúdo cabe ali e quais públicos serão impactados. Adeus ‘ai, mas eu não entendo de YouTube’ – como ouvi recentemente de uma RP que trabalha com social media. É importante entender de tudo, pessoal! Principalmente as novas plataformas digitais.

Criatividade de verdade

Dizem que a criatividade pode ser exercitada. Eu tinha dúvidas sobre isso, mas hoje acredito que sim. Existem técnicas específicas e até cursos! Eu consigo me virar bem com vídeos no YouTube, leitura de ficções, música e dinâmicas (você pode saber mais sobre isso pesquisando o tema na internet). Ela será importante porque em situações instáveis, como a que estamos vivendo, vai ser aquela cartada inesperada, aquela tirada do coelho de cartola, que pode salvar o dia; o job; a reputação.

Resiliência sem fim

Ser RP é sempre andar na corda bamba. Por quê? Porque sempre existirão fatores que estarão fora do seu controle, a despeito de muita preparação, pesquisa e planejamento. Então, muito provavelmente acontecerão imprevistos na execução de suas estratégias de PR. Por causa disso, é preciso de muita resiliência para não desanimar diante dos milhares de desafios que vão se apresentar diante de você. Como praticar a resiliência? Ela é fruto de um forte equilíbrio emocional e certeza de quem você é e o que pode agregar para a situação. Então, práticas como mindfullness ou ser acompanhado por um coach ajudam neste sentido.

E você? O que acha que o mercado de RP vai exigir dos profissionais em 2018? Gostaria muito de saber sua opinião. 🙂

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Júnia Braga é jornalista, especializada em gestão de comunicação e marketing. CEO & Founder da JB Press House, agência de Relações Públicas focada em serviços de gestão de reputação para organizações nacionais e internacionais, principalmente no que tange a relações com a imprensa.