The Post: a imprensa serve aos governados e não aos governantes | o nascimento de uma líder

janeiro 29, 2018 / comunicação

{Atenção! Este texto contém SPOILERS do filme.}

A história de um dos maiores vazamentos de documentos confidenciais do governo dos Estados Unidos e a jornada de uma mulher que finalmente conseguiu ser ouvida, provar o seu valor como líder e abrir o caminho para que outras mulheres pudessem seguir o seu exemplo e o seu legado.

Tenho escrito em diversas oportunidades sobre os processos de formação de opinião pública e que um destes processos se dá por meia da agenda midiática, ou seja, pela imprensa. A imprensa – a despeito da descentralização de informações que a internet trouxe, continua sendo uma “chanceladora” na formação da opinião pública.

Ambientado no início dos anos 1970, o filme ‘The Post – A Guerra Secreta’, de Spielberg, e que está concorrendo a dois Oscars (Melhor Filme e Melhor Atriz: Meryl Streep) estreou recentemente nos cinemas (eu conferi sábado!) e dramatiza a história real dos jornalistas do Washington Post tentando publicar os Pentagon Papers, documentos secretos sobre o envolvimento dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã. Tom Hanks divide o protagonismo da história com Meryl.

 

Uma série de conflitos se dá a partir de então.

Em primeiro lugar, temos a matriz movedora da história, que é a descoberta e o consequente vazamento na imprensa de documentos confidenciais que apontam que o governo americano mentiu durante anos para a opinião pública durante a Guerra do Vietnã. Diante disso, o que o jornalismo – enquanto instituição que ajuda a regular a democracia – deveria fazer? Do ponto de vista moral e ético, o que é melhor para o povo? Ou o que resguardaria a ‘segurança nacional’ (argumento do governo)? E aí se dão lindos diálogos que explicam por quais motivos a imprensa então (e acredito que ainda hoje) é tão importante para a sociedade e o seu verdadeiro papel. A decisão proferida pela Justiça americana resume tudo:

“A imprensa deve servir aos governados, não aos governantes.”

Reforço a teoria da agenda setting (que citei brevemente neste artigo aqui) que aponta que a construção da opinião pública perpassa por cinco agendas: a interpessoal, a intrapessoal, a institucional, a pública e a MIDIÁTICA. Sendo esta, na minha opinião, uma das mais importantes, pois exerce influência sobre todas as outras.

Em era de Fake News, é IMPORTANTÍSSIMO que se valorize o bom jornalismo, pois é dele que virá o equilíbrio que uma sociedade polarizada necessita.

Nasce uma líder

Paralelamente, temos a história de Mrs. Graham. Katherine Graham, interpretada pela sempre excelente Meryl Streep, viu, no passado, sua herança e controle da empresa ir para as mãos de seu marido após o falecimento do seu pai – e não para as suas, o que ela, à época, achou muito natural; não só pelo tempo em que viviam, mas pela genialidade e brilhantismo de seu esposo. Porém, há alguns anos ela exerce o papel de líder e está diante de um momento importantíssimo: o IPO da empresa.

Em DIVERSAS cenas vemos que ela se cala; seja porque não a deixam falar, seja porque ela se acostumou com a ideia de não falar.

Em uma cena, protagonizada pelo personagem de Tom Hanks (que interpreta o diretor de redação do jornal, Ben Bradlee) e de Sarah Paulson (esposa de Ben, Tony Bradlee), Sarah diz (vou parafrasear):

– Eu acho que ela é muito corajosa… Uma vez que por anos as pessoas te desmerecem, você acredita. As pessoas passam através de você, como se você fosse invisível.

E, de fato, muitas pessoas esbarram na Mrs. Graham durante o filme, endossando a fala desta outra personagem; corroborando que a figura dela era, com o perdão da redundância, figurativa.

 

Até que as coisas mudam.

Mrs. Graham decide – a despeito, inclusive, de sua amizade com integrantes do governo – publicar os documentos. Ela peita todo o corpo diretivo da empresa em prol da livre imprensa. Ela coloca em xeque sua posição, a empresa, todos os seus empregados, sua vida inteira.

E aí ela finca a sua liderança pela primeira vez em anos. E abre caminho para outras mulheres. Literalmente, há uma cena, no final do filme, em que ela, após o julgamento, desce as escadarias do Tribunal em meio a outras jovens mulheres. Todas elas a olham com admiração.

 

Para mim, que coincidentemente também exerço um papel de liderança feminina no setor de comunicação – foi uma jornada emocionante de assistir. Em alguns momentos, me vi às lágrimas. Principalmente naquelas cenas em que você se identifica, consegue lembrar de uma reunião ou de ocasião em que você esteve justamente ali naquela mesma posição.

O filme traz, então, para mim, esses dois pontos importantes que resumi no título: o papel da imprensa na sociedade e a brilhante jornada de uma mulher líder.

E você? Já assistiu ao filme? O que achou?

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E você? O que acha do tema? Gostaria muito de saber sua opinião. 🙂

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Júnia Braga é jornalista, especializada em gestão de comunicação e marketing. CEO & Founder da JB Press House, agência de Relações Públicas focada em serviços de gestão de reputação para organizações nacionais e internacionais, principalmente no que tange a relações com a imprensa.