“Um novo tipo de líder surge: um CEO que pensa além do lucro e alinha liderança com contribuição social e comportamento altamente ético”

julho 26, 2018 / reputação

Um estudo recente divulgado pelo Reputation Institute aponta, com números, a essencial importância da voz do CEO como um fator que realmente faz a diferença na boa reputação de uma organização e, inclusive, como a função social deste cargo está mudando.

A frase que dá título ao artigo está no Global RepTrak 2018, publicação do Reputation Institute que nomeia as 100 empresas do mundo com melhor reputação anualmente. Por meio da metodologia RepTrak, importantes inferências e tendências são apontadas. Alguns dados do relatório:

  • 66 das TOP 100 empresas têm uma pontuação forte em liderança – mas poucas pontuam bem em “governança” e “cidadania”;
  • Entre os entrevistados que estão familiarizados com os CEOs das TOP 100 empresas, estas empresas têm um aumento de reputação de 5,0 pontos;
  • Boa liderança está ligada à sociedade, com uma contribuição ética e transparente;
  • Há maior pontuação quando os entrevistados estão familiarizados com os CEOs e também reconhecem as atuações da organização em governança e cidadania.

Uma nova era de ‘Ativismo CEO’

Em maio deste ano, o Reputation Institute lançou a pesquisa ‘CEO RepTrak’, que aponta os CEOs com melhor reputação ao redor do globo. O vencedor de ‘CEO mais conceituado do mundo’ foi Sundar Pichai, do Google. Pichai se destaca por sua liderança responsável e é visto como excelente sobre os méritos de questões fiscais, sociais e ambientais.

“Avaliar o desempenho de um CEO com base exclusivamente em retornos financeiros já não é o suficiente. Há uma nova era emergindo em que os ativos intangíveis da reputação estão impulsionando mudanças políticas, sociais e econômicas, e dando aos CEOs razões para reconsiderarem o papel deles como líderes. Para ser relevante como um líder contemporâneo, você precisa ser um CEO com consciência, explica Stephen Hahn-Griffiths, Chefe de Reputação no Reputation Institute. “A chancela do que é preciso para ser um grande líder está mudando rapidamente”, completa.

As principais conclusões do estudo demonstram a importância de os CEOs serem líderes publicamente visíveis e dispostos a tomar um posicionamento sobre questões-chave. Os resultados revelaram uma correlação direta e forte entre a reputação do CEO e como suas organizações são percebidas pelo público, o que, por sua vez, indica o suporte/apoio de todos os grupos de stakeholders. A familiaridade do público em geral com relação ao CEO gera um aumento de +10,5 pontos na reputação organizacional em benefício da empresa. Em particular, a reputação do CEO tem maior influência nas dimensões da Cidadania (+9,9 pontos), Governança (+9,6 pontos) e Liderança (+8,1 pontos). No geral, a reputação dos CEOs representa globalmente 14% da reputação corporativa.

Os TOP 10 CEOs com melhor reputação do mundo são (em ordem alfabética do sobrenome):

  • Giorgio Armani – Giorgio Armani
  • Keith Barr – InterContinental Hotels Group [NYSE: IHG]
  • Fabrizio Freda – The Esteé Lauder Company [NYSE: EL]
  • Ralph Hamers – ING [NYSE: ING]
  • Bernard Hess – The Kraft Heinz Company [NASDAQ: KHC]
  • Tatsumi Kimishima – Nintendo [TYO: 7974]
  • Denise Morrison – Campbell Soup Company [NYSE: CPB]
  • Sundar Pichai – Google [NASDAQ: GOOGL]
  • Dirk Van de Put – Mondelez International [NASDAQ: MDLZ]
  • Jeff Weiner – LinkedIn

Um CEO com consciência: o que é?

“Businesses can no longer avoid becoming political.” — Harvard Business Review, April 2017

“Empresas não podem mais evitar de se tornarem ‘políticas'” — Harvard Business Review, Abril de 2017

A frase acima representa claramente o que os novos CEOs precisam ser: conscientes de seu papel como agentes de transformação social como cidadãos e saberem a importância de posicionarem-se sobre temas relevantes; liderarem não somente as suas companhias, mas movimentos; e, consequentemente, liderarem a opinião pública em prol de um benefício maior à sociedade.

Estes novos líderes precisam saber também sobre a relevância de trabalharem sua própria visibilidade e reputação em prol da organização que lideram, de modo que sua própria boa imagem influencie positivamente em seus negócios e no impacto social de sua organização, fomentando este elo virtuoso entre reputação do CEO e reputação da marca – para que ambos beneficiem-se mutuamente.

CEO: construa sua boa reputação

Costumo dizer que uma das máximas de quem trabalha com Gestão de Reputação é que você não pode só PARECER, você precisa TER (reputação). Ao mesmo tempo, não adianta TER, se você não APARECER (pois ninguém vai saber!). Afinal, em um mar de informações, não basta apenas ser conhecido, é importante ser reconhecido.

Assim, na era da reputação, em que as informações necessitam de chancela para serem absorvidas como credíveis diante da opinião pública, é necessário que todos os stakeholders da sua organização tenham uma boa opinião sobre você, já que a reputação é ‘a opinião das opiniões’. É o que seu fornecedor pensa; o seu cliente pensa; a sua entidade de classe pensa; a sua comunidade pensa; o seu colaborador pensa; o que a mídia pensa etc. E como fazer isso? Trabalhando estrategicamente sua comunicação com cada um deles, além de, claro, ser um cidadão ético, íntegro, com autenticidade e transparência.

Por fim, convido vocês a assistirem o curso sobre Gestão de Reputação que eu gravei recentemente para a Escola Aberta do Terceiro Setor (https://escolaaberta3setor.org.br/cursos/gestao-de-reputacao-o-que-e-e-como-praticar/que já está ao ar!